Windows: XP, Vista e 7 - a transição

Por Lance Ulanof, da PC MAG
A decisão da Microsoft de deixar para trás os usuários do Windows XP, sem upgrade facilitado para o Windows 7, é possivelmente o único erro na perfeita campanha de desenvolvimento e lançamento do novo sistema operacional.
Sim, já há precedentes de a Microsoft não ser muito colaborativa com usuários de sistemas muito antigos. Quando o XP saiu, em outubro de 2001, os usuários do Windows 3.1 e até do Windows 95 foram deixados para trás. O mesmo aconteceu no lançamento do Vista, em janeiro de 2007, quando usuários do Windows 2000 foram deixados de lado.
Isso não significa, obviamente, que a Microsoft está simplesmente abandonando seus usuários. Não é isso. A companhia está apenas deixando bem claro que usuários de sistemas operacionais anteriores ao Vista não terão mais upgrades disponíveis. Isso significa, em outras palavras, que usuários de XP terão que fazer uma instalação “limpa” do Windows 7, ou seja, instalar o sistema do zero.
O Windows 7 é o mais leve de todos
Em nossos testes, o Windows 7 foi o sistema operacional mais leve que já apareceu por aqui nos últimos anos. Dá até para rodá-lo em netbooks e em PCs mais antigos e mais lentos - considerando, é claro, que você perderá algumas firulas visuais do novo sistema.
Mas existe uma forma de fazer o upgrade do XP para o Windows 7, no que a Microsoft chama de “custom install” (instalação customizada). Com essa ação, você pode optar entre instalar um sistema novinho em folha substituindo o antigo ou instalá-lo em uma partição nova. Você também pode usar a instalação customizada se comprar um PC sem sistema algum ou se quiser instalar um OS multiboot.
E substituir o sistema por um novo significa na prática instalar tudo do zero. Você perderá todas as preferências e nem sonhe em iniciar o processo sem antes fazer backup de todos os seus arquivos. Todos os programas precisarão ser reinstalados e você possivelmente vai precisar atualizar alguns drives, como scanner, impressora ou câmera fotográfica.
E a Microsoft não está prometendo que todos os softwares do XP vão rodar diretamente no Windows 7. Depois do fiasco de compatibilidade que foi o Vista, a empresa agora está mais cautelosa nesse quesito. De qualquer modo, há uma funcionalidade que simula o XP no Windows 7 para os programas que não rodam diretamente.
Mas, vamos ser sensatos. Particularmente, não acho que a Microsoft está sendo injusta aqui. Upgrade funciona assim mesmo, as coisas mudam. Apesar de alguns mal-entendidos iniciais, os upgrades trazem um mundo de diferenças.
Opinião universal: Windows Vista não rolou
Uma coisa não dá para negar: a opinião geral é de que o Windows Vista não teve boa aceitação. Muitas promessas feitas, poucas cumpridas. O Service Pack 2 resolveu a maioria dos problemas iniciais do Vista e, de fato, hoje em dia o Vista é um bom sistema operacional. Mas o estrago já estava feito, a imagem do Vista é péssima. Além disso, apesar de agora ser um bom OS, o Vista ainda é um verdadeiro vampiro de recursos do sistema.
E há o efeito netbook, é claro. A explosão dos ultraportáteis criou um problema para a Microsoft. Um sistema operacional que a Microsoft estava tentando matar, o XP, acabou surgindo das trevas como melhor opção para os netbooks, com ser terceiro Service Pack. Chega a ser irônico: oito anos após seu lançamento, o XP ressurge nas lojas vindo pré-instalado em netbooks. Steve Ballmer deve estar amaldiçoando a explosão dos netbooks.
Agora, a Microsoft tem demonstrado uma preocupação especial com os netbooks, fazendo sempre questão de divulgar que o Windows 7 roda bem nos ultraportáteis. O desafio é convencer os usuários de netbooks que vale a pena migrar do XP pro Windows 7 nas maquininhas.
O fato é que o XP é, sim, um OS velho, mas ainda é largamente utilizado. O consumidor comum, em particular, ainda reluta em instalar um OS completamente novo. Mas o boca-a-boca do Windows 7 é tão positivo que dessa vez os usuários de XP vão migrar para o novo sistema. Ainda assim, os usuários podem torcer o nariz ao saberem que precisam instalar um sistema completamente novo para substituir o XP.
Mercado corporativo pode ser o maior empecilho
A Microsoft não pode esquecer também dos ambientes corporativos que estão presos ao XP. Eu, por exemplo, trabalho rodeado de computadores com Vista, Windows 7 e Mac OS X, mas meu PC de trabalho ainda está preso a um XP com Service Pack 2. O departamento de TI de minha empresa, assim como milhares de tantos outros, querem distância das dores de cabeça do Vista. Não vai ser fácil fazê-los mergulhar de cabeça no Windows 7, especialmente se tiverem que instalá-lo do zero em todas as máquinas.
Obviamente, muita gente vai querer esperar. Conhecemos muitas empresas que até hoje usam Windows 2000 e até Windows 98, simplesmente porque a dor de cabeça que dá fazer o upgrade não compensa o investimento e a perda de produtividade temporária. A estratégia da Microsoft deve assustar quem tem XP.
Mas também há boas notícias. A Microsoft deixou as portas abertas para ferramentas de terceiros. A Laplink, por exemplo, já criou um itilitário que permite o upgrade direto do XP para o Windows 7.
Bom, mas ainda faltam alguns meses para o OS ser oficialmente lançado. Até 22 de outubro, a Microsoft ainda pode fazer alguma coisa para mudar esse quadro. O sistema operacional já está em fase de manufatura, por isso, não é muito provável que a Microsoft mude algo no código, mas ainda tem chão para a empresa oferecer algum utilitário gratuito para migração.





























