Os grandes filmes da Máfia

Postado em Capas, Cinema & TV

Por Rui Costa, da Movie

Bugs, Baby Face, Dillinger, ‘Machine gun’ Kelly, ‘Pretty Boy’ Floyd, Al Capone. Todos nomes que no imaginário atual significam pouco, mas que foram os verdadeiros protagonistas de histórias que são fortes até hoje. Em uma época onde os homens tinham como maior guia a moral e o sonho americano ainda significava algo, encontramos um punhado daqueles que sabiam como distorcer as regras da ética e criaram um negócio próprio, a Máfia.

Começando a verdadeira humanização do mafioso no cinema na década de 30, os filmes, quase que instantaneamente, geraram glamour, fascínio e simpatia por esse tipo de criminoso. E, afinal, o que não há para se gostar? Eram cidadãos comuns, pais de família que, depois de um grande almoço de domingo, contrabandeavam bebidas ilegais e extorquiam comerciantes e políticos a fim de saciar o ego e serem os homens mais respeitados da cidade. Um dos melhores exemplos desse pensamento foi o ‘The Public Enemy’, de 1931, que mostrava um contrabandista de bebidas de Chicago, Tom Powers, interpretado por James Cagney, cujo irmão veterano da Primeira Guerra tenta insistentemente tirá-lo dessa vida enquanto a mãe chora toda vez que ele não volta pra casa na mesma noite.

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O grande lance dos filmes de máfia são as entidades que os povoa. O FBI, a Lei Seca, o crime organizado e suas leis não escritas. Toda a violência e os meios escusos de se conseguir o que quer são limitados e regrados por esses personagens silenciosos. Em ‘Little Caesar’, de 1931, o caipira Rico, interpretado por Edward G. Robinson, se muda para a cidade grande e logo se torna o cabeça da gangue, ficando conhecido como Pequeno César. A lei e o sensível equilíbrio entre os grupos e seus chefões precisam ser tratados com precisão cirúrgica a fim de manter os negócios prosseguindo.

Uma das características mais impressionantes desses filmes é como conseguiam contornar a Hays Code, estatuto que ditava a moral e bania elementos como violência e sexo explícitos no cinema da época. Cenas que chocam até hoje conseguiram passar pelo crivo dos censores. Uma das mais marcantes foi quando Cagney, em The Public Enemy, esfrega uma grapefruit na cara de sua amante, Mae Clarke, após sua negação em dar bebida de café da manhã ao mafioso.

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Protestos de grupos de mulheres romperam pelo país, por terem considerado abuso. Já o ex-marido de Mae Clarke, Lew Brice, ia todo dia ao cinema apenas para ver essa cena, enquanto donos de restaurante, ao verem a encarnação de Tom Powers em suas mesas, imediatamente mandavam grapefruits para agradá-lo. Rico, de Little Caesar, fez um sucesso tão absurdo que o acrônimo para a lei contra o crime organizado – Racketeering Influence Corrupt Organization Act, o RICO – foi, apesar de não admitido oficialmente, em sua homenagem. Outras referências à vida real, como a influência de gangsters reais nas atuações e reencenações de acontecimentos do jornal, foram presentes em quase todas as películas do gênero.
A maior parte dos grandes da época está disponível atualmente em DVD. Little Caesar, Scarface, the shame of a nation e Angels with dirty faces foram lançados no Brasil, mas The Public Enemy, infelizmente, não. Porém, todos eles podem ser encontrados a venda com facilidade.

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