Quanto você paga de imposto nos eletrônicos?

Games

Teoricamente, os políticos deveriam entender de jogos. Mas apenas daqueles jogos de bastidores, de pizzas quentinhas de CPIs. De games, não entendem nada e não dão a menor importância.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) divulgou os índices de impostos aplicados sobre produtos brasileiros. Com isso, você já deve imaginar que os games está nesse meio. E de fato, não só está nesse meio como sofre a maior porcentagem de impostos entre os eletrônicos: 72,18%.

De acordo com João Eloi Olenike, diretor técnico do IBPT, os games são supérfluos. “Pelo princípio da Seletividade, o legislador deve destinar alíquotas mais altas para os produtos mais desnecessários à população e alíquotas menores aos mais necessários e essenciais, como exemplo os produtos da cesta básica”, disse Olenike.

Abaixo você pode conferir a lista de impostos atribuídos sobre algumas classes e produtos, e tirar sua própria conclusão sobre o assunto:

* Consoles de videogame: 72,18%
* Jogos de videogame: 72,18%
* MP3 players: 49,45%
* Televisores: 44,94%
* Computadores acima de R$ 4 mil: 33,62%
* Computadores até R$ 4 mil: 24,30%
* Celular: 39,80%

Por Flávio Croffi, da PC MAG

Conteúdo Relacionado

Quem inundou São Paulo?

Das oito mil pessoas que fazem a limpeza das ruas de São Paulo, 1600 foram recentemente demitidas.

O Sindicato que reúne as empresas que prestam os serviços de conservação e limpeza da cidade afirma que até o final de setembro, mais 1400 devem ser demitidas, três mil no total. Duas reportagens publicadas hoje ligam a inundação que parou São Paulo nesta terça-feira com a ausência de manutenção. O lixo tampou as bocas de lobo, a água subiu.

O Sindicato questiona o motivo das demissões junto ao Ministério Público. A prefeitura diz que apesar do corte de pessoas, o trabalho continuará sendo feito como era.

Você se sente tratado como idiota de vez em quando?

A reportagem da Folha está aqui. A do Valor é fechada para assinantes.

Gilberto Kassab piora o que era ruim. A limpeza de São Paulo sempre foi e continua sendo uma porcaria. Oito mil pessoas não dá nem para o cheiro, em uma cidade do tamanho de São Paulo. Muito menos cinco mil.

Me irrita gente defendendo coleta seletiva. Não serve pra quase nada e praticamente não existe em São Paulo. O que aliás é muito compreensível, visto que grande parte da cidade nem tem recolhimento de lixo.

Em muitos lugares, o lixo cuidadosamente separado nos prédios dos bairros descolados são todos misturados na ponta. Se cada um fizer a sua parte a cidade continua a mesma droga, se o estado não fizer a parte dele e não fiscalizar para que as empresas façam a parte delas. O último momento em que a cidade ficou mais ou menos apresentável foi nas semanas anteriores à última eleição.

No bairro em que eu moro, Sumarezinho - mas pode chamar de Vila Madalena - tem lixo acumulado em vários lugares. Pertencemos, se a informação te interessa, à Subprefeitura da Lapa.

Em alguns bairros é pior. O lixo está se empilhando. Ah, e só para lembrar: o fumo foi proibido mas o estado não instalou cinzeiros. Então agora toda calçada está cheia de bitucas. Que ajudam a entupir os esgotos.

Uns dias atrás eu estava na região da Berrini. Se você não mora em São Paulo, é a área mais moderna da cidade, um maciço de prédios supermodernos abrigando superempresas. O marco visual é a ponte estaiada. O prédio mais famoso foi apelidado de Robocop.  Parece, sei lá, Shanghai dez anos atrás.

Voltei de trem, da CPTM. Trem recém-entregue e lotado, de populares, ninguém de terno, uma da tarde. Fui rapidinho da Berrini à Cidade Universitária, mais perto do meu trabalho, no total cinco estações que bordejam o bairro mais rico de São Paulo, os Jardins: Vila Olímpia, Hebraica, Pinheiros.

Foi indolor. Duro foram os dez minutos de espera. Porque a linha está na margem do Rio Pinheiros. Que cheira bosta. A marginal é um esgoto a céu aberto.

Aqui, a maior modernidade. Ao lado, o maior atraso. Chavão brasileiro, certo?

É o que parece, mas está errado. A ponte estaiada, os megaprédios da Berrini, o trem novinho, a Daslu, o Shopping Cidade Jardim - nada disso são artefatos contemporâneos. Pelo contrário. Bunkers de luxo circundados de miséria e imundície são monumentos ao século 20, fora de lugar no século 21.

A ironia é que quando a prefeitura não limpa esgotos e bocas de lobo, a água sobe para todos. E os bacanas também ficam com seus carrões blindados chafurdando no lodo, e as big empresas ficam sem energia e sem telefone e sem internet e tudo mais.

É prejuízo. Mas nenhum rico perdeu filho ontem. Só morreram duas crianças da zona leste. E tem três crianças de Osasco que estão desaparecidas. De Osasco, não: de um lugar chamado Morro do Socó. Se forem encontradas, terão uma notícia muito triste: a mãe das crianças morreu no desabamento.

Não são mortes acidentais. O crime foi premeditado.

Por André Forastieri

Conteúdo Relacionado

Fora Sarney: a tag da moda não é a realmente necessária

Li no blog do Lelo Brito um post, fui comentar e, quando percebi, tava ficando tão grande o comentário que parei para não ser maisinconveniente. Voltei para esta casa, continuo aqui.

Os que enchem o twitter com tags #forasarney, replicandodeclarações bombásticas de Arthur Virgílio, Pedro Simon, Heráclito Fortes ou Aloísio Mercadante, dividem-se, basicamente, em dois grupos: o dos que acham que estão participando de um “movimento cívico”, e eu os perdôo pela ingenuidade e “inocência inútil”; e o dos mal-intencionadosque têm, sim, outro projeto de poder, foramdefenestrados democraticamente, através do voto, e querem voltar na marra, por saberem que não oferecem a quem decide agora (POVO) alternativa que a ele satisfaça. É esse o veredicto dos “de sempre”: o povo errou, o povo não pode estar satisfeito com o governo, vamos “abrir os olhos desse povo ignaro que apóia o apedeuta Lula”.

A democracia brasileira corre grande perigo com essas “crises” institucionais que desaguam no nada absolutoQuem, em sã consciência, pode aplaudir o Arthur Virgílio subindo na tribuna do senado para achincalhar Sarney? Sarney é um sujeito“achincalhável” desde 1966, e mesmo assim chegou a Presidência da República Federativa do Brasil em 1985, apoiado pela turma do Virgílio! Quer me dizer que ele ficou “investigando” o Sarney durante 24 anos, para “descobrir” que ele é mau, bobo, feio e chatocorrupto e indecoroso? Sem contar que o Ribamar foi ELEITO (pelo mesmo Virgílio) presidente do Senado há bem pouco tempo! Quando foi que os atiradores de elite do Senado descobriram a verdadeira face do “himenóptero inflamável maranhense”? Agora? Ato secreto?Os “atos” eram “secretos” pra mim ou pra você, nego! Todos eles sabiam de tudo, o tempo todo.todos foram, de uma forma ou de outra, pouco ou muito, beneficiados por esses “atos”. Quando o Agaciel Maia foi pego, tenho certeza absoluta que as desfragmentadoras de papel do Senado trabalharam como nunca, HDs foram formatados a granel nos gabinetes, gerentes de banco receberam ligações ameaçadoras…

Em 1992, Fernando Collor de Mello renunciou, sob a ameaça de impeachment proposto por vários desses senadores que estão aí. Em 2009, eleito pelo povo de Alagoas, volta a Casa Legislativa, pega o microfone e DESANCA FRAGOROSAMENTE um dos líderes do movimento para derrubá-lo em 8992. E o desancado peida “amarela” feio. É ameaçado por alguém que ele, Simon, há 17 anos atrás, considerava merecedor de cadeia, e fica pianinho. “Eu conheço bem esses movimentos, Senador parlapatão Simon!“.  FCM conhece melhordo que todos eles, mesmo. Na “cadeira elétrica parlamentar” em quetentam amarrar Sarney, hoje, ele já se sentou. E a voltagem aplicada sobre ele foi muito superior à que aplicam ao Ribamar. Lá foi “torrado”, mas voltou. E voltou sabendo como as coisas funcionam,disposto a tudo para se vingar dos algozes. É a velha história: se atirar, atira pra matar, senão…

Isso tem de parar. Não porque eu queira ver Sarney bem na foto. A bem da verdade, eu nunca quis – mas e você, #forasarney, não era“fiscal” dele em 1986, insuflado pelo Jornal Nacional que HOJE demoniza o Riba? Não ficava ligando pra SUNAB, como um imbecil, paradenunciar “ágio” num congelamento de preços absurdo que desorganizou toda a economia, gerando um dos maiores episódios de desabastecimento já vistos desde a 2ª guerra? Você não achou “uma boa” dar 5 anos pra ele?

Isso tem de parar porque a vontade popular demonstrada nas urnas pode ser vilipendiada com esses “joguinhos de acusar”. Assim: você cria uma crise institucional, que justificaria derrubar na marra todo mundo. Quem comanda isso tudo? O Fortes? O Virgílio? O Twitter? Naaada! São grupos empresariais e de comunicação com interesses particulares contrariados. Quer ver?

Amigo, monta aí um jornal. Transforme-o no “maior jornal do Brasil”.Qual é o legado de um jornal, o que garante a sua longevidade? A garantia que você, leitor, tem de não estar lendo um monte de besteirapagando por isso, não? Pois é, o “maior jornal do Brasilofereceu a José Sarney o espaço mais nobre de que dispunha durante séculos, retirando-lhe o espaço somente agora, pela bagunça formada. E nem um pio deu sobre isso. Pior, ainda teve a desfaçatezde engrossar o “coro dos indignados com Sarney”!!! Isso, a FOLHA DE SP não conhecia seu articulista da página 2!!! Então, tá. Tô indo lá na banca comprar a “Folha”, pra ficar bem informado e poder ser “formador de opinião”, igual o Marcos Mion, o Júnior da Sandy e o Vesgo do Pânico.

Os deputados e senadores são apenas “funcionários” deles, e só estão lá porque eles deixaram. Você votou neles, mas a “mando invisível” deles. Veja o exemplo do Collor. Ele voltou porque deixaram de falar mal dele, só isso! E veja a loucura: dos 81 senadores, talvez ELLE seja o único onde a “vontade das urnas” esteja puramente representada, muito ao contrário de quando ele foi eleito presidente, com a inefável “ajuda” de Roberto Marinho e Victor Civita – que, pouco tempo depois, trataram de derrubá-lo por não ser “bem aquillo” que esperavam do meninão.

A “tag” da vez, verdadeiramente cívica, seria #foragolpistas. Tentem realmente ser uma alternativa ao poder estabelecido, proponhamalgo melhor que o atualmente executado e CONVENÇAM O POVO DISSO. Sendo simples assim, vocês ganham no campo. Sem essa de ganhar “no tapetão”, com gol impedido de jogador expulso que não quis sair de campo. Isso precisa acabar, de uma vez por todas.

Por Vinícius Duarte, do Com Fel e Limão

Conteúdo Relacionado

Hoje São Paulo será menos livre

Eu acho que na placa de cada bar de São Paulo deveria ter uma plaquinha. Assim:

- aqui se fuma maconha

- aqui se bebe pelado

- aqui fazemos orgia

- aqui não servimos carne

- aqui toca Djavan

- aqui é GLS

- aqui é para evangélico

- e, aliás, deveríamos mudar a lei para permitir o uso de drogas terríveis tipo heroína e crack, em estabelecimentos com as devidas plaquinhas

- e por aí vai.

Informação transparente. Em todos os guias de jornal e da internet.

Entra quem quer. Trabalha lá quem quer.

Pode até ter uns alvarás diferentes, pagar impostos de maneira diferente.

É assim que funciona uma sociedade livre.

Coisa que, sabemos, não existe.

Mas podemos ser um pouco mais livres ou um pouco menos livres.

A nova lei antifumo faz São Paulo menos livre.

Porque, veja, não existem espaços públicos. Existem espaços mais públicos ou menos.

A rua é um espaço muito público.

O metrô, menos. Só entra quem paga.

Um hospital público, menos ainda. Só entra doente e acompanhante. E tem regras para tudo.

Um bar é muito, muito menos público. Tem dono. E só pode ficar lá quem estiver consumindo.

E mais: a questão da fumaça prejudicar os garçons é, claro, cortina de fumaça.

Porque pela mesma lógica, os garçons não poderiam trabalhar em casas de show, porque o som muito alto vai prejudicar a audição. Ou os marronzinhos não poderiam ficar aspirando gás carbônico nos grandes cruzamentos.

Cigarro faz mal? Faz. Outras coisas também fazem. É decisão do indivíduo fumar ou não.

Se houver consenso de que o cigarro deve ser proibido, que se proíba sua fabricação e comercialização. Dá pra começar tirando os subsídios dos plantadores de tabaco e aumentando vinte vezes o preço do maço.

Mas não. É mais fácil fazer de conta que estamos fazendo algo de verdade.

Muitos amigos acharam a lei civilizada. Tem roqueiro fazendo propaganda a favor. E blogueiro achando que é bonito ir fumar lá fora.

Esta lei é autoritária. E ponto final.

Por André Forastieri

Conteúdo Relacionado

O destino justo para Sarney

Eu fiquei fã do PT por causa do Sarney. Sério. Foi em 1985. Depois de todo o fuzuê da campanha pelas Diretas - que, estava na cara, não ia dar em nada - conchavo daqui, conchavo dali, fecharam como chapa “da oposição” Tancredo Neves para presidente e José Sarney para vice.

No dia das eleições indiretas, o PT se recusou a participar. O argumento era de que participar do Colégio Eleitoral legitimava as indiretas. É claro que a composição da chapa não ajudava. Tancredo era conservador, mas limpo. Sarney foi presidente da Arena e do PDS. Fez parte do regime militar e se beneficiou muito com isso.

Dois deputados rebeldes, Bete Mendes e Airton Soares, foram expulsos do partido por votar em Tancredo-Sarney. Achei sensacional. Eu tinha 19 anos quando isso aconteceu. Se fosse eu no congresso, não votava no Colégio Eleitoral nem a pau. Hoje tenho 43. Não mudei de posição.

Tancredo morreu, Sarney assumiu - devia ter sido Ulisses Guimarães, que fraquejou; história para outro dia - fez o governo que fez e entregou o Brasil nas mãos de Fernando Collor. E eu fiquei, tá vendo? Tá vendo? É isso que dá fazer acordo com esses caras.

Quando o PSDB fez acordo com o PFL, falei para os amigos tucanos: tá vendo? É a mesma coisa de sempre. Quem chega no poder faz instantaneamente acordo com os filhotes da ditadura.

No intervalo, votei no PT quase exclusivamente, eleição após eleição, até finalmente Lula se eleger. Quando Lula chegou lá, naturalmente escolheu como aliados justamente a escumalha de sempre. É por essas e por outras que não voto mais.

Nosso presidente é um homem pragmático. Deve ter aprendido negociando com os patrões, no tempo do sindicalismo: você não pode sempre escolher com quem vai fazer negócios.

Sou vivido o suficiente para entender isso. Sou ingênuo o bastante para acreditar que você precisa estabelecer alguns limites. Internacionalmente, o Brasil anda apoiando estrupícios como o governo iraniano. Da mesma maneira, Sarney e família estão além do aceitável. Não são nem vilões do século 21, são vilões da Idade Média, senhores feudais, que tratam o Maranhão como gleba e todos os brasileiros como servos.

A imprensa brasileira bateu em Sarney de leve, supostamente porque era o primeiro presidente civil depois de vinte anos de ditadura. Depois, deu mole. Aliás, assim que ele deixou o governo - com inflação de 70% ao mês - ganhou uma coluna na Folha de S. Paulo.

Agora está todo mundo caindo de pau. É uma maneira indireta de bater em Lula, e no PT. Nem tão indireta. Sarney sempre apoiou o governo, qualquer governo, e sempre se deu bem com isso. Apóia hoje Lula, que o defende, e que quer Roseana Sarney forte no Maranhão como palanque para dona Dilma. Se Dilma perde, o clã Sarney apoiará o governo Serra. E tudo continuará como sempre. Maluf não está por aí, soltinho da silva?

Bom, não aceito. As investigações têm que ir fundo, até o fundo do poço de podreiras. Para mim, só pelo que já se apurou, o destino justo para Sarney é morrer na cadeia. É maldade minha?  Bernard Madoff deu muito menos prejuízo para os americanos que Sarney para os brasileiros e terá exatamente esse destino.

Agora quero ver sangue…

Por André Forastieri

Conteúdo Relacionado

Prxima Pgina »