Sasha Grey e a repulsa ao sexo
MANUAL DO BOM-TOM ENTRE QUATRO PAREDES
Algumas mulheres são frequentemente punidas quando flagradas – aliás, esse termo é inadequado – quando observadas numa atitude desenvolta em relação à sexo. Outras devotam sua existência a isso
Por Rafaella Soares, repórter da Revista O Grito!
Sasha Grey é uma estrela pornô em ascensão nos EUA. Em entrevista recente para a Revista Rolling Stone Brasil, seu perfil atípico é dissecado sob um ponto de vista um tanto maniqueísta. Claro, a construção da narrativa é boa, nos moldes da publicação, com direito a uma certa aura cult-rebelde impregnando a personagem, que, vejam só! Tem o cartaz de A Chinesa do Goddard na parede (presente do amigo Steve Soderbergh, que dirigiu a novata no polêmico The Gilrfriend Experience). Nada aqui condiz com o estereótipo de uma atriz de filmes adultos.
Num desfecho algo machista, o repórter ilustra bem mentalidade tanto de boa parte dos consumidores dos filmes da alardeada naturalmente bonita Sasha quanto os leitores da revista, de um modo geral: é desolador pensar na quantidade de homens que assistirão essas produções projetando na namorada a liberdade que a interpretação (performance?) da moça de 23 anos passa, mas não é menos frustrante pensar que, não fosse o despudor absoluto, Sasha seria mais uma secretária que viveria suas fantasias na Internet.
A afirmação encontra ecos. Uma atitude livre em relação a sexo traz vínculos imediatos com vulgaridade, leviandade. A mulher que age de maneira disponível nunca é saudável, bem resolvida. É fácil, e ponto. Rótulos funcionam assim, numa tentativa torta de separar pessoas em compartimentos.
Na cochia a gente esconde todas as outras coisas, as coisas indizíveis. Uma amiga confessando tímida que recusa sexo oral porque teme o que o namorado vai achar do seu gosto. O ex que usa alguma preferência sexual sua como argumento para expor sua intimidade na hora da briga. Aquele site ou DVD que você preferia nunca ter visto, mas volta e meia acessa. Sexualidade, fetiche, fantasia, libido feminina, são coisas que não raro ficam na obscuridade ou descambam para a banalidade gratuita.
Não tinha uma coisa nos anos 1980 de encontrar o caso na garçoniere? É esse o espírito. Lembro também de um conto do Woddy Allen que descreve um grupo de prostitutas pagas não para transar, mas para discutir artes, política e filosofia com seus clientes judeus. Esses estigmas todos, acrescidos da bagagem emocional que carregamos a um alto preço, vão tecendo seus contornos e ditando nossos comportamentos.
Questiona-se pouco os padrões reproduzidos à exaustão. É mais conveniente assumir papéis seguros. Heterossexuais monogâmicos, bissexuais esporádicos, homossexuais convictos. Quase nunca indivíduos com suas particularidades. Ela sempre ela, a velha conhecida Medida, de quem quase ninguém, exceto jovens americanas ousadas, parecem escapar.
Rafaella Soares é jornalista e cronista
Conteúdo Relacionado
Damas do dia, damas da noite

Entre a carne e o espírito, a tão comedida esposa Severine só encontrava paz nas suas tardes como Belle de Jour. (Catherine Deneuveuve, 1967)
“Uma dama na sociedade, uma puta na cama” é uma frase que deveria se orgulhar de transitar por aí cheia de adesões mesmo sendo tão amoral. Ela consegue reunir num espaço curto litros de devassidão que, misturada a uma discreta malícia cria a espiritualidade ideal para que não seja apedrejada em praça pública. Claro, os protestos teriam sua razão de ser: durante séculos as mulheres tiveram como prioridade serem as esposas ideiais, sempre boazinhas e bem arrumadas, obedientes. Da porta para fora, finas e recatadas, capazes de engrandecer o homem que acompanham, serem bem vistas e publicamente virtuosas.
Quando o século XIX inventou a privacidade, o maior problema de todos era conter os desejos que apareciam agora que cada um tinha seu quarto, agora que os casais descobriam as quatro paredes; mas como a mocinha e depois a mulher poderia dar vazão às vontades e depois comparecer ao chá beneficente no clube de leitura? Sexo devia ser no escuro, limpo, de preferência com um crucifixo na cabeceira da cama para Deus assistir e bater palma: a reprodução estava garantida, a infelicidade íntima também. Mas, ao contrário delas, os maridos não ficavam no redirecionamento das energias para o crochê, o piano, ou os filhos. Eram nos bordéis que tradicionalmente começavam sua vida sexual, e era no bordel que iam fazer tudo o contrário do que recomendavam a igreja e a sociedade organizada.

O jovem aristocrata Armand enfrentaria tudo pelo amor da cobiçada cortesã Marguerite Gautier no romance de Alexandre Dumas. Tornado em ópera, filme e outras tantas adaptações A Dama das Camélias confunde-se com a história do próprio autor. (Greta Garbo em Camille, 1936)
A imaginação que temos dessas valentes profissionais do sexo é sempre alegre: muita música, espartilhos apertadíssimos e cigarros de piteira, todas as polonesas, brasileiras e argentinas - ali, invariavelmente, francesas - são galhofeiras, dispostas a praticamente tudo na cama, na noite, no álcool. Amigas sem frescuras. Mas quem é que vai apresentar a Rose Sofie pra mamãe?
Uma puta na sociedade, uma dama na cama
As mulheres de braços dados exigindo direitos iguais são só uma imagem de jornal frente à revolução mundial provocada por cada uma que desafiou pai, marido, filho e tias recalcadas em prol de um trabalho bem pago, de voto, de minissaia e de orgasmos. Múltiplos, por favor.
Mas a ideia das putas continua fascinando. Aquela coisa mítica de mulheres liberais, libertinas, que enfrentam os perigos mais absurdos, os amores mais platônicos sem deixar o rímel borrado estragar o charme. Qualquer menina que quisesse ser atriz, modelo ou cantora virava puta no disse me disse, era automático; é um gosto de corpo solto no mundo. Como não admirar? A despeito das ombreiras que transformaram mulheres em homens, elas permaneceram sempre na obrigação profissional de serem femininas, da escort mais cara à gordinha da Praça Tiradentes, sedução é pra pagar o almoço.

Gabriela Leite é ex-prostituta da Boca do Lixo em São Paulo, socióloga formada pela USP e idealizadora da potente grife DASPU: “eu não aguentava aquela vidinha de escritório, pegando ônibus…”
Hoje as mulheres percebem que queimar sutiãs não foi sentença de mudança de sexo, nem precisamos ser assexuadas. Uma puta na sociedade, uma dama na cama; ninguém precisa deixar de querer ser mãe, de gostar de cozinhar, de ser desejada. Não é questão de escolha, mas de trânsito, de poder andar e ser o que quiser, quando pintar vontade, quando precisar. Podem fumar e gargalhar alto feito uma pomba gira ou podem presidir reuniões tanto de cúpula quanto de cópula nas dominações e submissões - todas dignas. Aprendemos com as biscates reais e ficcionais, que mulher mesmo é isso, escolher todo dia ser pela ambigüidade.

Irremediavelmente atraída pelas casas de striptease no caminho de casa, a tímida telefonista Brook Busey tornou-se Diablo Cody. A dançarina, escritora e roteirista ganhadora do Oscar, certa vez teve o seio ferido durante um programa.

O Moulin Rouge habita o imaginário como um lugar onde o luxo e a solidão se misturam de modo febril ao can can, às cores, bebidas e cintas-liga.
Em parceria com:
Conteúdo Relacionado
Spencer Tunick: o fotógrafo das multidões nuas

Desde 1992 que Spencer Tunick documenta a nudez de multidões. As suas instalações consistem de dezenas ou mesmo centenas de figurantes voluntários que posam em locais públicos; sendo as fotografias um documentário do evento em si.

A massa de indivíduos sem suas roupas, agrupado num qualquer cenário,da-lhe um significado completamente completamente diferente. Segundo o autor, esse grupo de pessoas torna-se uma abstracção que desafia e reconfigura a nossa visão da nudez e da própria privacidade.




Conteúdo Relacionado
Casais pop que não deram certo
Conheça alguns enlaces incomuns que não foram pra frente no mundo da música
O site Spinner elaborou uma lista de affairs estranhos e que não foram pra frente
dentro do pop. Bis tomou a liberdade de dar um leve pitaco na lista e incluir alguns casos nacionais.
The White Stripes
Eles tentaram enganar o mundo deixando dúvidas no ar: eram marido e
mulher ou irmãos? O fato é que Jack e Meg White foram casados durante um
tempo - o divórcio foi efetivado em 2000. Hoje, Meg está casada com
Jackson Smith, filho da cantora e precursora do punk Pat Smith.

No Doubt
Nos tempos em que Gwen Stefani era ‘apenas uma garota’ (ou ‘Just a
Girl’, do terceiro álbum, Tragic Kingdom (1995), seu parceiro de romance
era o baixista Tony Kanal. Mas a ascensão rápida ao mundo da fama
balançou a relação e o namoro não vingou. Casada há anos com Gavin
Rossdale, ex-Bush, Gwen continua escrevendo músicas sobre Tony.

Sonny e Cher
Pareciam ser o casal mais perfeito do pop, até que em 1975 veio o fim e
com ele histórias da violência matrimonial praticada por Sony - ele não
se intimidava com o fato de sua esposa ser… mulher e partia pra cima.
Jefferson Airplane
A banda procurava alguém para amar - Somebody to Love tocou sem parar no verão do amor. Grace Slick, ex-modelo e vocalista da banda, dormiu
com a banda toda, menos o vocalista Marty Balin. Ela não se preocupou em manter isso apenas entre a banda: Jim Morrison, líder do The Doors, foi um de seus casos, que envolveu uma cama cheia de morangos amassados, o que deu um novo significado à expressão ‘jam session’.

Rita Lee e Arnando Baptista
Ela nega até hoje que tenham sido casados. Ele não só nunca negou como sofreu demais pelo rompimento do romance.
Tanto que sua vida foi mudada para sempre - a dor do fim somada, claro, ao abuso de lsd nos anos 60. Rita e Arnaldo
formaram o casal que ensinou o país a injetar o pop à Beatles na brasileirice da tropicália. E deu efetivamente as
cartas no movimento. A certidão de casamento foi rasgada, ainda nos anos 60, durante o programa da
Hebe numa das milhares de fanfarronices protagonizadas pelo grupo. Mas a separação de fato veio anos depois, e o resto
é história, agora revelada em imagens no documentário Loki, sobre a vida de Arnaldo.
Herbert Vianna e Paula Toller
Sabe-se pouco sobre o rápido romance entre ambos, ainda nos anos 80. Antes de namorar Herbert, Paula foi namorada
de Leoni, à época parceiro de Kid Abelha. O fim do caso culminou com a saída do músico do grupo, e ambos até hoje
demonstram não ter resolvido a parada. O relacionamento entre Paula e Herbert é tão difuso que não aparece nem em
‘Herbert de Perto’, documentário sobre a vida do líder dos Paralamas. E embora já tenham trabalhado juntos em parcerias
depois do relacionamento, Paula não aparece no filme.

Pepeu Gomes e Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo)
O casal mais bizarro e divertido do pop nacional até então. Separados desde os anos 90, são pais de filhos com
nomes esquisitíssimos, como Riroca, hoje Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara e Pedro Baby. Ainda nos 80, registraram
em música um fato inusitado. Constantemente fantasiados, foram expulsos da Disneylândia, nos Estados Unidos -
a justificativa seria de que a família, pelos adereços, despertava no público presente mais atenção do que as
atrações do parque. “Barrados na Disneylândia” foi o hit da dupla, que continha os versos elucidativos:
“Não vendam ingressos pra eles/Aqui eles não podem entrar!/Com esses cabelos coloridos/Aqui há uma lei:/Ninguém
pode tirar/A atenção dos brinquedos do lugar!”
Por Bis
Conteúdo Relacionado
Sexo nos videogames

Por Paula Romano, do MSN Jogos
Você já deve saber: sexo é sempre assunto pra mesa de bar e roda de amigos. E não só! O tema, mesmo sendo abordado de diversas maneiras, sempre rende subidas de audiência, já que a mídia apela mesmo e usa corpos e mulheres para estampar suas notícias.
Não muito diferente disso, os jogos eletrônicos também dão uma passeada nesse mundo, trazendo alguns jogos que mostram (ou apenas incitam) o bom e velho “instrumento de procriação”. Banalizado ou não, o assunto continua rendendo, inclusive a produtora Ubisoft afirmou que o novo “Assassin’s Creed 2”, que chega às lojas no dia 17 de novembro, conterá cenas de sexo.
Por conta dessas notícias, oferecemos uma pequena lista com alguns games que mostram cenas pra lá de sensuais. É importante lembrar que todos esses jogos tem faixa etária para maiores de 18 anos. Vamos a eles:
Grand Theft Auto: San Andreas - (PC, PS2, Xbox 360)
O jogo da Rockstar teve sua classificação etária mudada para maiores de 18 anos, por conta das cenas de sexo no modo “Hot Coffee”. Onde os jogadores têm acesso a um minigame pornográfico, cujo objetivo intrigante é levar o personagem a conversar com as garotas do cenário e convidá-las para um café – por isso o nome Hot Coffee”.
Chegando ao local, como numa paquera, o café é deixado de lado e o game se transforma em um simulador de sexo virtual. Porém, as cenas não vem habilitadas, a menos que o jogador baixe e instale o “mod”, o que representa violação na licença de uso do jogo e de direitos autorais.
Mass Effect – (PC, Xbox 360)
O jogo de RPG da produtora BioWare oferece a possibilidade dos jogadores controlarem as ações do seu personagem. Desta forma, o game permite que seja iniciado um relacionamento amoroso com outros personagens na história. Isso quer dizer que você pode tanto escolher uma menina, quanto um menino para namorar. Por conta disso, o título foi banido em diversos países por oferecer atos de homossexualismo no enredo.
Contudo, a produtora, na voz de Grag Zeschuck, respondeu às críticas dizendo que as cenas não estão presentes à toa, existe um sentido para elas.
“Não Acredito que todos os jogos devam ter cenas de sexo, penso isso, sim, que em alguns tipo de jogos faz sentido elas existirem. As críticas relacionadas à ‘Mass Effect’ foram extremamente exageradas, já que não houve nudez explicita; mostramos apenas uma parte de uma perna. Esse tipo de alardeamento é típica atitude de pessoas que gostam de se aproveitar da situação. A verdade é que esse tipo de cena a gente vê normalmente enquanto jantamos em frente à televisão”.
God of War II – (PS2)
O Deus da Guerra não é fraco, disso você já está cansado de saber. No jogo além de carniçaria rolando à solta, temos também uma cena bastante polêmica. Aqui você verá um minigame escondido e bastante sensual com duas garotas deitadas em uma sauna. Quando o protagonista Kratos chega em Rhodes, a primeira zona do game, você irá encontrar uma local de banhos.
Ao invés de mergulhar e continuar, você vai sair da água em direção a área envolvente. A área conta com dois painéis quebráveis, e atrás de um deles você encontrará duas mulheres em topless. Bem, depois de tanto sangue e desgraça Kratos merece um descanso, vai?
Fahrenheit: Indigo Prophecy – (PC,PS2, Xbox 360)
“Indigo Prophecy” é o original nome do jogo que passou por uma censura forte antes de ser publicado nos Estados Unidos. Tudo isso por causa do incidente ocorrido no minigame “Hot Coffee”, de GTA: San Andreas. Na Europa, o jogo foi lançado com outro nome: “Fahrenheit”, e têm todas as cenas de sexo, sangue e matança que não foram incluídas na versão da Terra do Tio Sam.
As cenas de sexo só aparecem dependendo do final e da história que você conduz no jogo. “Fahrenheit: Indigo Prophecy” contém três finais diferentes, e a vida do protagonista Lucas Kane pode ser mudada desde o começo do enredo. Outra cena sensual, que também foi censurada, é quando a namorada de uns dos personagens da história faz um strip tease completo, com direito a close frontal…
Outros jogos com cenas eróticas:
Max Payne 2
Metal Gear Solid 4
The Sims
Fallout
God of War: Chains of Olympus
The Witcher
Custers Revenge
A polêmica continua
Inserir cenas de sexo nos jogos é colocar o assunto em pauta, mostrar que ele existe e está ai para ser visto e consumido… já que ele faz parte, e muito, na vida de todos.
Óbvio que um conteúdo adulto não deve chegar às mãos das crianças. E quando me refiro a conteúdo adulto estou falando de games, filmes, novelas/seriados, até o mês de fevereiro deveria ser repensado, afinal, Carnaval não conduz mensagens que remetem à educação.
Então, quando a mídia cria polêmica em cima de um determinado produto inevitavelmente acaba criando um misticismo em cima, e o resultado final, quase sempre é reverso à crítica. E, ao invés de criar repulsa, a mídia acaba fazendo uma bela propaganda gratuita, aumentando as vendas (e os downloads) exponencialmente.
Antes de uma educação vinda da televisão, da internet, dos games ou de qualquer meio tecnológico, a noção de moral – do que pode ou não pode – ainda deve ser vinda diretamente dos responsáveis, que por meio de diálogo, observa e tem o cuidado com o que deixar ou não a criança ver. Sexo nos jogos não é diferente de sexo em novelas, sexo em filmes ou mesmo em propagandas deliberadas do dia a dia. O assunto existe, portanto, a solução é entender o porquê e para quê, como qualquer outro assunto que traz polêmica.
















