Damas do dia, damas da noite
04/12/2009 by Maurício Angelo
em Capas, Sexo & Comportamento

Entre a carne e o espírito, a tão comedida esposa Severine só encontrava paz nas suas tardes como Belle de Jour. (Catherine Deneuveuve, 1967)
“Uma dama na sociedade, uma puta na cama” é uma frase que deveria se orgulhar de transitar por aí cheia de adesões mesmo sendo tão amoral. Ela consegue reunir num espaço curto litros de devassidão que, misturada a uma discreta malícia cria a espiritualidade ideal para que não seja apedrejada em praça pública. Claro, os protestos teriam sua razão de ser: durante séculos as mulheres tiveram como prioridade serem as esposas ideiais, sempre boazinhas e bem arrumadas, obedientes. Da porta para fora, finas e recatadas, capazes de engrandecer o homem que acompanham, serem bem vistas e publicamente virtuosas.
Quando o século XIX inventou a privacidade, o maior problema de todos era conter os desejos que apareciam agora que cada um tinha seu quarto, agora que os casais descobriam as quatro paredes; mas como a mocinha e depois a mulher poderia dar vazão às vontades e depois comparecer ao chá beneficente no clube de leitura? Sexo devia ser no escuro, limpo, de preferência com um crucifixo na cabeceira da cama para Deus assistir e bater palma: a reprodução estava garantida, a infelicidade íntima também. Mas, ao contrário delas, os maridos não ficavam no redirecionamento das energias para o crochê, o piano, ou os filhos. Eram nos bordéis que tradicionalmente começavam sua vida sexual, e era no bordel que iam fazer tudo o contrário do que recomendavam a igreja e a sociedade organizada.

O jovem aristocrata Armand enfrentaria tudo pelo amor da cobiçada cortesã Marguerite Gautier no romance de Alexandre Dumas. Tornado em ópera, filme e outras tantas adaptações A Dama das Camélias confunde-se com a história do próprio autor. (Greta Garbo em Camille, 1936)
A imaginação que temos dessas valentes profissionais do sexo é sempre alegre: muita música, espartilhos apertadíssimos e cigarros de piteira, todas as polonesas, brasileiras e argentinas - ali, invariavelmente, francesas - são galhofeiras, dispostas a praticamente tudo na cama, na noite, no álcool. Amigas sem frescuras. Mas quem é que vai apresentar a Rose Sofie pra mamãe?
Uma puta na sociedade, uma dama na cama
As mulheres de braços dados exigindo direitos iguais são só uma imagem de jornal frente à revolução mundial provocada por cada uma que desafiou pai, marido, filho e tias recalcadas em prol de um trabalho bem pago, de voto, de minissaia e de orgasmos. Múltiplos, por favor.
Mas a ideia das putas continua fascinando. Aquela coisa mítica de mulheres liberais, libertinas, que enfrentam os perigos mais absurdos, os amores mais platônicos sem deixar o rímel borrado estragar o charme. Qualquer menina que quisesse ser atriz, modelo ou cantora virava puta no disse me disse, era automático; é um gosto de corpo solto no mundo. Como não admirar? A despeito das ombreiras que transformaram mulheres em homens, elas permaneceram sempre na obrigação profissional de serem femininas, da escort mais cara à gordinha da Praça Tiradentes, sedução é pra pagar o almoço.

Gabriela Leite é ex-prostituta da Boca do Lixo em São Paulo, socióloga formada pela USP e idealizadora da potente grife DASPU: “eu não aguentava aquela vidinha de escritório, pegando ônibus…”
Hoje as mulheres percebem que queimar sutiãs não foi sentença de mudança de sexo, nem precisamos ser assexuadas. Uma puta na sociedade, uma dama na cama; ninguém precisa deixar de querer ser mãe, de gostar de cozinhar, de ser desejada. Não é questão de escolha, mas de trânsito, de poder andar e ser o que quiser, quando pintar vontade, quando precisar. Podem fumar e gargalhar alto feito uma pomba gira ou podem presidir reuniões tanto de cúpula quanto de cópula nas dominações e submissões - todas dignas. Aprendemos com as biscates reais e ficcionais, que mulher mesmo é isso, escolher todo dia ser pela ambigüidade.

Irremediavelmente atraída pelas casas de striptease no caminho de casa, a tímida telefonista Brook Busey tornou-se Diablo Cody. A dançarina, escritora e roteirista ganhadora do Oscar, certa vez teve o seio ferido durante um programa.

O Moulin Rouge habita o imaginário como um lugar onde o luxo e a solidão se misturam de modo febril ao can can, às cores, bebidas e cintas-liga.
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Kim Joon: Body Art
12/11/2009 by Maurício Angelo
em Capas, Mulher

Esqueçamos as negras tatuagens no braço, no ombro ou no peito. O artista coreano Kim Joon usa-se do corpo todo e das mais variadas cores. E vai mais além: agrupa corpos masculinos ou femininos entrelaçados em posições sensuais sobre os quais desenha padrões contínuos que os fundem numa massa corporal única, subjugados pelo desenho e pela cor!
Apesar do seu estilo denunciar um cunho vincadamente oriental, Joon não se limita aos costumeiros dragões e serpentes. Ao invés, qualquer material lhe serve como padrão pictórico, sejam motivos florais, logótipos de marcas comerciais ou comics do Superman, cujo potencial gráfico é enorme e é inteligentemente explorado pelo artista.
Obra original e, ousamos dizê-lo, profundamente humana…






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Fernanda Young: Ctrl S no erotismo
11/11/2009 by Maurício Angelo
em Especiais, Júlio César - O Imperador, Mulher
Fernanda Young veio com a proposta. “Vou salvar o erotismo”, disse a Jack Bauer da bronha no banheiro. Sabemos que é balela, coisa para vender revista. Mas ainda assim ficamos com aquela pulga atrás da orelha. “E aí, e se eu ficar de pau duro para a Fernanda Young? Será que devo procurar um analista?”.
Eu não tinha esperanças de que o erotismo precisava ser salvo. Porque nos dias de hoje precisamos salvar a África, salvar os bancos nos EUA, salvar judeus e palestinos, salvar o Corinthians. O erotismo talvez seja a commodity (sempre quis escrever isso) mais garantida de todos os tempos. Você passa fome mas não passa sem sexo. Exceção feita ao Bernard Shaw, que não trepava e tinha asco à putaria. Mas o Bernard Shaw devia ser assim porque nunca andou de ônibus no verão de Sampa, só pode.
Quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor
Pois bem, Fernanda Young na Playboy é a moça do dia a dia. É aquela mulher estranhona que passa na Paulista e você escarneia, mas que pega na Funhouse sem pensar duas vezes. Vai culpar a cachaça, mas na verdade é o erotismo que está ali, precisando ser salvo da punheta de bêbado. E você pega, discute Guerra e Paz (parabéns Tolstói pelo livro mais chato de todo o sempre) enquanto se embrenha na Macondo vaginal da Fernanda Jovem. Renegar o ensaio dela é renegar quase todas as mulheres que você pegou. Exceto, claro, se você for o Vicent Cassel. Porque daí você pega a Mônica Belluci e, nesse caso, tem erotismo salvo no cache do Google, tá lá para todo o sempre.
Fato é que você comeria amarradão. Poderia até contar só para o melhor amigo, mas ia sem dó desbravar a ilha de Crusoé. Porque de punheta, literalmente falando, já bastam os livros do Sartre.
Júlio César é jornalista e Imperador. Já atravessou o Rubicão, pegou a Cleópatra e levou algumas facadas. Quase um 50 Cent da Roma Antiga.
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Counter Strike e strippers russas
05/11/2009 by Maurício Angelo
em Destaque 03, Games
O site Kotaku divulgou ontem (2/11), imagens de um torneio de Counter Strike na Rússia, em que o treinador de uma das equipes levou, além da sua capacidade técnica, um presente para seus meninos: strippers seminuas.
Porém para espanto geral, principalmente da nação brasileira, os jogadores não se abalaram com a presença “estimulante” das loiras (quase do Tchan – vide Carla Perez), e continuaram dentro das suas partidas como se elas nem estivessem ali. Praticamente dizendo para as garotas: “Olha Pessoal! Deste jeito não dá pra trabalhar”.
Apesar do pequeno (grande) machismo embutido nesta notícia, é bem peculiar os garotos não se abalarem com a presença das meninas. Quer dizer, talvez meninas normais devam ser mais estimulantes. Porque é estranho pensar que mulheres seminuas são mais interessantes do que qualquer outra coisa – elas são, mas tudo tem sua hora.
E vocês o que acham disso?



Paula Romano, da EGW
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Topless nas ruas de Nova York
23/10/2009 by Maurício Angelo
em Especiais, Mulher

Este original ensaio fotográfico de Jordan Matter leva-nos até às ruas de New York, onde fotografou mulheres em topless.




















